domingo, 4 de abril de 2010

Só transmitindo a postangem do meu antigo blog pra esse aqui:

Yep, vamos começar essa coisa.


Nas duas ultimas semanas percebi (no pouco tempo que tinha em casa) o alvoroço que foi criado em volta do caso da família Nardoni.

Pois bem... Veja quanta gente se posiciona publicamente, levanta a bandeira dos direitos da criança, pede a cabeça do casal numa tigela de prata... E eu te pergunto, por que?

Não estou defendendo o casal. Muito pelo contrário, a atitude de ambos é deplorável. Mostra como o ser humano pode ser uma aberração, e que todos estão sujeitos a isso.


Mas será que realmente era necessário o circo que se formou em volta daquela tragédia?

Será que era realmente necessária toda aquela pressão em cima de um caso onde a defesa foi meramente figurativa?


Digo isso porque temos N outros absurdos por aí, talvez até piores que o assassinato da menina Isabella, que só não chocam ninguém porque não existem câmeras. A dor é silenciosa. O sofrimento, oculto pela miséria.

E não precisa ir muito longe pra se deparar com uma barbárie que o ser humano propicia. Vejam nas ruas, quantas pessoas largadas como animais, vivendo uma subvida. Nessas horas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos simplesmente não faz sentido.


E mesmo naqueles casos noticiados, não vejo nenhum estardalhaço popular.


Vamos a um exemplo.


Alguém aqui se lembra do menino João Hélio? Ou melhor, quem se lembra?



O menino João Hélio


Pois é, ele foi arrastado no asfalto por sete quilômetros, por um marginal de 16 anos (hoje com 19), na frente da própria mãe. O assassino estava ciente todo o tempo de que estava arrastando a criança.

Pra fechar, o maldito largou o carro numa viela, e desceu calmamente a rua com seus dois cúmplices, como se nada tivesse acontecido...

Detalhe, o corpo da criança (de só seis anos) foi totalmente desfigurado...

O assassino foi libertado a cerca de dois meses. Pois então... hoje a ONG Projeto Legal tenta incluir esse "rapaz" no PPCAM (Programa de Proteção à Criança e Adolescente Ameaçados de Morte).

Isso quer dizer? Proteção especial do Estado, provavelmente a emissão de um novo documento de identidade e apoio para "recomeçar" a vida, incluindo gastos estudantis e auxilio financeiro.

Que coisa não? A é... Ele tentou matar um agente penitenciário enquanto estava na detenção.


E o que o Estado faz? Ajuda o coitadinho, porque está recebendo ameaças de morte...

Nada mais natural. Matar um criminoso não traz ninguém de volta, mas vinga a sociedade. É a "justiça popular".


E o caso Nardoni prova isso.


A hostilidade do povo contra o casal Nardoni e Jatobá é só uma pagina dessa história, que está aí há 500 anos e não tem pretensão de mudar.

Porém, não existiu nenhuma manifestação popular contra o assassino anônimo do menino João Hélio. Fora as passeatas clichês e as condolências forçadas à família, ninguém faz nada. Ele acaba de ser considerado "hóspede", sustentado pelo dinheiro dos nossos impostos... e ninguém armou um cerco em volta da Vara da Infancia e da Juventude...

E o Estado toma uma atitude no mínimo questionável, protege um psicopata, e só porque não recebeu uma cobertura ampla da Globo ou da Record, o menino João terá sua morte esquecida, como se o absurdo que aconteceu fosse banal.


Não é corriqueiro (nem perdoável) arremessar uma criança do sexto andar.

É cruel, covarde e doentio.

Mas arrastar uma criança, como se fosse um pedaço de carne, ter consciência da dor e do sofrimento, e ainda assim continuar... Isso é assumidamente desumano.


E três anos depois, eu percebo que o “povo” nem lembra disso. E o mundo não mudou nada.

Esse mundo está errado...


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