
sábado, 10 de abril de 2010
Coisas que só acontecem comigo

sexta-feira, 9 de abril de 2010
Pain of Salvation!
Boa tarde pessoal.
Hoje vou fazer um post diferente... vamos falar de uma coisa boa.
Música.
Não é novidade que nosso mundo musical vem de revelações bombáticas... desde coisas pitorescas como o MC Créu até o tiozinho do Nananananana do YouTube (old, mas nem por isso menos bizarro).
E não é só o Brasil que revela coisas de carater duvidoso.
Vide as Beyoncé's por aí a fora...
Poderia passar a noite citando coisas pelo menos mais ou menos... mas hoje cedo tenho uma prova de Ética, e ainda tenho que ler umas 200 páginas...
Enfim...
Vou falar de uma banda pouco conhecida na Mainstream... principalmente no Brasil.
O nome é Pain of Salvation, e pode ter certeza, você nunca ouviu (ou vai ouvir) uma coisa dessas na rádio. Pelo menos não costumam tocar Prog Metal sueco nas rádios.
O líder da banda é o guitarrista (e vocal) Daniel Gildenlöw, que fundou a "carcaça" da banda em 1984, com o nome "Reality".
Em 1991 a banda virou Pain of Salvation, segundo o próprio Daniel, um nome que representa equilíbrio. A justificativa do título, segue logo abaixo:
"A idéia do nome é que tudo tem dois lados, tudo está em equilíbrio... Imagine-se esgotado no meio de um deserto ... Se ficar sentado irá deixar de sentir dor, de sofrer - mas isso vai matá-lo. A caminhada para a água vai doer, mas pode salvar sua vida."
Legal não?
É difícil achar bandas que façam você usar mais que um ou dois neurônios enquanto as escuta.
Não tenho nada contra diferentes generos musicais, mas chega a ser enfadonho ouvir bandas enlatadas, sem nenhum talento musical e sem nada de inovador bombarem na rádio.
PoS é diferente disso.
Todos os albuns são carregados de uma crítica severa ao estilo de vida modernista, a valores morais (ou mesmo imorais) agregados a nossa cultura, a tabus e ocorrencias tão banalizadas que não chocam ninguém, mas que não deveriam jamais ser esquecidas.
Enfim... PoS nos incita a pensar, a usar nosso cérebro pra algo de útil.
A discografia da banda já conta com 6 albuns de estúdio:
> 1997 - Entropia (que conta a história de um homem, no país fictício de Entropia)
> 1998 - One hour by the Concrete Lake (que fala de um personagem buscando suas verdades interiores)
> 2000 - The Perfect Element - Part I (o melhor album da banda, uma patada de urso que conta a história de 2 personagens simultaneamente. Consolidou a ideia de CD's verdes do PoS)
> 2002 - Remedy Lane (um homem em crise no seu relacionamento busca verdades dentro de seu coração. É muito mais sombrio que OHbtCL)
> 2004 - Be (um CD mostro que discorre sobre a existencia [e a essência] de Deus)
> 2007 - Scarsick (o ultimo trabalho enfoca questões como o captalismo, o materialismo, o consumismo... enfim, fala da sociedade contemporânea e todos os seus vícios)
Confesso que estou absolutamente dependente de Scarsick - o albúm é totalmente psicodélico, consegue te fazer viajar para uma realidade completamente diferente.
Spitfall, América, principalmente Cribcaged (com certeza, a faixa mais lind do disco), Idiocracy... são revestidas com um ódio tão grande, uma insatisfação tamanha que chega a arrepiar.
A maravilhosa Kingdom of Loss traz uma atmosfera niilista tão sublime e absoluta... parece colacada só pra te preparar pra faixa final, Rain "Enter"...
Scarsick é a "continuação" de TPE - I. Ele continua contando a história d"Ele", mas de um ponto de vista totalmente inovador.
Daniel Gildenlöw revelou em entrevistas que a vida de "Ele" (um dos personagens de The Perfect Element) é uma alegoria para toda a humanidade, que nele vemos os problemas da sociedade em um nível íntimo e pessoal.
Assim como em The Perfect Element - parte I, aborda o tema da disfunção em um contexto psicológico que lida com o indivíduo, Scarsick lida com eles no sentido sociológico e explora a relação entre os dois. Assim como a canção final do primeiro CD ("The Perfect Element") testemunhamos a queda de "Ele" em um nível mental, a canção final sobre Scarsick ("Enter Rain") vê-lo cair em um nível físico.
Enfim... estou trabalhando num conjunto de reviews completas da banda, desde Entropia.
É legal o fato de que PoS trata de temas dificilmente abordados por outras bandas, exatamente por soarem "difíceis de vender".
Poucos artistas hoje tem coragem de tratarem temas assim a nível tão profundo, e menos ainda nos fazem "sair" de nossa zonas de conforto.
A qualidade musical do conjunto é destacável (ou achou que era só isso?).
A voz de Daniel é linda, os instrumentais são lapidados com perfeição, e não existe nenhum dogmatismo no conjunto.
Pois já tiveram desde musicas pesadas (como Winning a War, de Entropia) a híbridos com música erudita (The perfect Element, faixa 12 do CD de mesmo nome). Ou mesmo vistuosismo (Song for the Innocent, faixa 10 do PE - I) e uma balada das boas (Disco Queen, do Scarsick).
Enfim... escutem.
Musica da melhor qualidade, composições da melhor qualidade, num mundo musical nem tão bom assim.
PS.: E olha que eu nem falei de Hallelujah, do duplo "Second death of Pain of Salvation". É, é o clássico de Jeff Buckley (que foi usada na trilha de Watchmen, ano passado).
Só reforçando, vale a pena.
domingo, 4 de abril de 2010
Só transmitindo a postangem do meu antigo blog pra esse aqui:
Nas duas ultimas semanas percebi (no pouco tempo que tinha em casa) o alvoroço que foi criado em volta do caso da família Nardoni.
Pois bem... Veja quanta gente se posiciona publicamente, levanta a bandeira dos direitos da criança, pede a cabeça do casal numa tigela de prata... E eu te pergunto, por que?
Não estou defendendo o casal. Muito pelo contrário, a atitude de ambos é deplorável. Mostra como o ser humano pode ser uma aberração, e que todos estão sujeitos a isso.
Mas será que realmente era necessário o circo que se formou em volta daquela tragédia?
Será que era realmente necessária toda aquela pressão em cima de um caso onde a defesa foi meramente figurativa?
Digo isso porque temos N outros absurdos por aí, talvez até piores que o assassinato da menina Isabella, que só não chocam ninguém porque não existem câmeras. A dor é silenciosa. O sofrimento, oculto pela miséria.
E não precisa ir muito longe pra se deparar com uma barbárie que o ser humano propicia. Vejam nas ruas, quantas pessoas largadas como animais, vivendo uma subvida. Nessas horas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos simplesmente não faz sentido.
E mesmo naqueles casos noticiados, não vejo nenhum estardalhaço popular.
Vamos a um exemplo.
Alguém aqui se lembra do menino João Hélio? Ou melhor, quem se lembra?

O menino João Hélio
Pois é, ele foi arrastado no asfalto por sete quilômetros, por um marginal de 16 anos (hoje com 19), na frente da própria mãe. O assassino estava ciente todo o tempo de que estava arrastando a criança.
Pra fechar, o maldito largou o carro numa viela, e desceu calmamente a rua com seus dois cúmplices, como se nada tivesse acontecido...
Detalhe, o corpo da criança (de só seis anos) foi totalmente desfigurado...
O assassino foi libertado a cerca de dois meses. Pois então... hoje a ONG Projeto Legal tenta incluir esse "rapaz" no PPCAM (Programa de Proteção à Criança e Adolescente Ameaçados de Morte).
Isso quer dizer? Proteção especial do Estado, provavelmente a emissão de um novo documento de identidade e apoio para "recomeçar" a vida, incluindo gastos estudantis e auxilio financeiro.
Que coisa não? A é... Ele tentou matar um agente penitenciário enquanto estava na detenção.
E o que o Estado faz? Ajuda o coitadinho, porque está recebendo ameaças de morte...
Nada mais natural. Matar um criminoso não traz ninguém de volta, mas vinga a sociedade. É a "justiça popular".
E o caso Nardoni prova isso.
A hostilidade do povo contra o casal Nardoni e Jatobá é só uma pagina dessa história, que está aí há 500 anos e não tem pretensão de mudar.
Porém, não existiu nenhuma manifestação popular contra o assassino anônimo do menino João Hélio. Fora as passeatas clichês e as condolências forçadas à família, ninguém faz nada. Ele acaba de ser considerado "hóspede", sustentado pelo dinheiro dos nossos impostos... e ninguém armou um cerco em volta da Vara da Infancia e da Juventude...
E o Estado toma uma atitude no mínimo questionável, protege um psicopata, e só porque não recebeu uma cobertura ampla da Globo ou da Record, o menino João terá sua morte esquecida, como se o absurdo que aconteceu fosse banal.
Não é corriqueiro (nem perdoável) arremessar uma criança do sexto andar.
É cruel, covarde e doentio.
Mas arrastar uma criança, como se fosse um pedaço de carne, ter consciência da dor e do sofrimento, e ainda assim continuar... Isso é assumidamente desumano.
E três anos depois, eu percebo que o “povo” nem lembra disso. E o mundo não mudou nada.
Esse mundo está errado...

